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FMT CONHECIMENTO - O raio

Elaborado por:

Federico Mentasti

CREA-AL: 8349

 

03 de janeiro de 2010
 

Descargas atmosféricas

O raio ou relâmpago é o fenômeno atmosférico mais espetacular oferecido pela natureza, mas também o mais aterrorizador que existe. Ele tanto pode danificar equipamentos e instalações elétricas como também matar pessoas sem sequer atingi-las diretamente.

Aqui você encontrará um pequeno resumo de procedimentos para se proteger.

 

Como surge

O raio começa a surgir quando uma nuvem acumula cargas elétricas em sua base. Aparece um caminho que conduz essas cargas para a terra e, através dele, surge uma faísca, que recebe o nome de "raio líder descendente". Com isso, a quantidade de cargas elétricas na superfície da terra aumenta gradativamente, o que inicia um processo semelhante da terra para a nuvem, principalmente em objetos salientes e pontiagudos. É chamado "líder ascendente".

O raio surge quando esses dois líderes se encontram, o que pode ocorrer no interior de uma nuvem, entre duas nuvens, entre uma nuvem e o ar ou de uma nuvem para a terra. Quando isso acontece, é provocado um clarão (relâmpago), seguido por um barulho (trovão) devido ao deslocamento de ar.

Formas de proteção

Para a proteção das edificações, é necessária a utilização de outros tipos de pára-raios de acordo com a norma ABNT NBR 5419. Um deles é o pára-raios tipo haste (conhecido como pára-raios Franklin) instalado no alto de edificações. Este pára-raios oferece proteção para a edificação (ou parte dela) contida sob o cone de proteção cujo vértice encontra-se no topo da haste captora.

O que estiver dentro desse espaço estará protegido (método Franklin). O Ângulo de proteção variará de acordo com o nível de proteção requerido, tipo de ocupação, valor do conteúdo, localização e altura da edificação. A norma ABNT NBR-5419 fornece os detalhes da sua especificação.

O método Franklin não se aplica a todos os tipos de edificações, devendo ser utilizados outros métodos (eletrogeométrico, malha ou gaiola de Faraday), de acordo com a norma ABNT/NBR-5419. No caso de edificações maiores, acima de 60 metros, aplica-se somente o método da gaiola de Faraday. Em quaisquer dos métodos utilizados deve sempre haver um adequado aterramento.

Pára-raios radioativos não proporcionam proteção adequada e sua utilização é proibida no Brasil.

Para antenas instaladas sobre as edificações, o suporte ou ponto de fixação da antena deve ser aterrado adequadamente. Quando a antena não estiver localizada sobre a edificação, são necessários cuidados especiais, tais como aterramentos adicionais e instalação de blindagem.

O bom funcionamento dos pára-raios e a adequada proteção contra sobretensão estão associadas a um sistema de aterramento eficaz. O tipo de aterramento e o número de eletrodos de terra (hastes de aterramento) a serem utilizados para assegurar a eficácia do aterramento dependem das características do solo.

Existem vários equipamentos para a proteção da sua rede de baixa tensão. Os mais comuns são os pára-raios de baixa tensão (varistores), supressores de surtos, que podem ser encontrados no comércio especializado. Para o correto funcionamento desses equipamentos é necessário que sejam especificados adequadamente, que a sua rede elétrica seja bem aterrada e que o condutor neutro seja contínuo, bem dimensionado e com emendas bem feitas. O bom aterramento (hastes, malha de terra, condutores de descida, etc.) é de responsabilidade do proprietário do imóvel.

Para equipamentos sensíveis como a televisão, existem outros tipos de proteção que são instalados nas tomadas. Esses dispositivos são conhecidos como protetores contra surtos de tensão. Computadores, aparelhos de fax, secretárias eletrônicas ou mesmo televisores, podem requerer uma proteção especial. Para a atuação eficiente de qualquer dispositivo de proteção desses equipamentos, é necessário que o sistema de aterramento da sua instalação também seja eficiente. No caso de um aterramento mal feito, os dispositivos podem não funcionar perfeitamente.

 

IMPORTANTE: Jamais contrate um curioso para elaborar ou instalar sistemas de aterramento ou proteção contra raios! Somente um profissional habilitado possue competência para lidar com segurança com tal situação. 

 

Onde cai e como se propaga

Ao procurar um caminho para sua descarga, o raio atinge pontos altos e mais pontiagudos, onde existe maior concentração de cargas. Assim, ele pode cair próximo de um lugar várias vezes, contrariando o dito que diz "onde caiu um raio não cai outro".
Os estragos provocados pela ação do raio são enormes, causando danos a uma área muito grande. Nem todo raio vem pela rede elétrica da concessionária de eletricidade. Ás vezes ele desce pela antena de TV, ou por outros caminhos como torres, árvores, etc.

O raio viaja por varais, rede telefônicas e cercas de arame, quando estas não são seccionadas e aterradas. Os raios podem atingir prédios e casas por serem pontos altos. O mesmo ocorre com igrejas, chaminés, as torres de TV, árvores ou até uma casa no descampado. Em tais situações a rede elétrica não tem nenhuma influência.  

 

Cuidado com as cercas

As cercas conduzem o raio. Elas podem ser isoladas das edificações e aterradas nesses pontos. Em locais de circulação de pessoas e animais as cercas devem ser seccionadas e aterradas em intervalos regulares.

Essas recomendações aplicam-se também a varais longos e ou que estejam em contato com edificações.
O aterramento sempre deverá ser feito utilizando-se hastes próprias para o mesmo.  

 
Cerca Paralela à Rede de Distribuição Rural.

No caso do paralelismo situado ate 30m da rede, a cerca deverá ser aterrada e seccionada a cada 250 metros.

  

Cerca Transversal à rede de Distribuição Rural.

O aterramento e o seccionamento deverão localizar-se próximo ao limite da faixa de segurança.

  

Cuidados nos Casos de Tempestades

O que você deve fazer dentro de casa 

Não tome banho durante as tempestades.

Não use chuveiro ou torneira elétrica.

Evite contato com qualquer objeto que possua estrutura metálica, tais como fogões, geladeiras, torneiras, canos, etc.

Evite ligar aparelhos e motores elétricos, para não queimar os equipamentos.

Afaste-se das tomadas e evite usar o telefone.

Desconecte das tomadas os aparelhos e eletrônicos tais como televisão, som, computadores, etc.

Permaneça dentro de sua casa até a tempestade terminar.

Desligue os fios de antenas dos aparelhos.

  

O que você deve fazer fora de casa. 

Evite contato com cercas de arame, grades, tubos metálicos, linhas telefônicas, de energia elétrica e qualquer objeto ou estrutura metálica.

Afaste-se dos seguintes locais:

tratores e outras máquinas agrícolas;

motocicletas, bicicletas e carroças;

campos abertos pastos, campos de futebol, piscina, lagos, lagoas, praias, árvores isoladas, postes, mastros e locais elevados;

permaneça dentro de seu veículo caso o mesmo tenha teto de estrutura metálica.

 

As lendas

A sabedoria popular, nem sempre tão sábia, criou uma série de noções falsas que podem levar à tragédias e matar pessoas:

 

Lenda: Se não está chovendo não caem raios.
Verdade: Os raios podem chegar ao solo a até 15 km de distância do local da chuva.

 

Lenda: Sapatos com sola de borracha ou os pneus do automóvel evitam que uma pessoa seja atingida por um raio.
Verdade: Solas de borracha ou pneus não protegem contra os raios. No entanto, a carroceria metálica do carro dá uma boa proteção a quem está em seu interior; sem tocar em partes metálicas. Mesmo que um raio atinja o carro é sempre mais seguro dentro do que fora dele.

 

Lenda: As pessoas ficam carregadas de eletricidade quando são atingidas por um raio e não devem ser tocadas.
Verdade: As vítimas de raios não "dão choque" e precisam de urgente socorro médico, especialmente reanimação cardiorrespiratória.
 
Lenda: Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar.
Verdade: Não importa qual seja o local ele pode ser atingido repetidas vezes, durante uma tempestade.

 

 

Fontes de pesquisa: Hélio Creder - Inst. Elétricas de B.T/Cemig/ABNT/I.M - S. Paulo/Tecnirama